Ysolda Cabral em Prosa e Versos

Uma pessoa que chora e ri de alegria, tristeza ou saudade, sem nenhum pudor...

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HELZINHO - DE VOLTA DA PESCARIA
Ysolda Cabral 



Depois da fracassada pescaria, Helzinho, fedendo a peixe, desnorteado, com fome e com ódio de Amada, concluiu que precisava lhe dar uma lição, um castigo... Afinal, o que custava tratar de um peixinho só, para almoçarem? Nâo havia sido ele que tivera o trabalho e a paciência de pescá-lo enquanto ela dormia?

- Tomara que tenha se afogado na travessia! - Pensou com seus botões.

Foi com muita raiva que entrou no carro deixado na marina, jurando nunca mais voltar ali e arrancando sem olhar pra trás. Parou, logo adiante, em um posto de combustível, pedindo para completar o tanque.

- Deu oitenta reais e cinquenta centavos, moço!

Desligado do dito, Helzinho se ateve aos dizeres da bomba: 8,05. Catou na carteira uma nota de vinte reais, repassou-a e se postou à espera do troco - contando com o trocado para a paga ao frentista pela calibragem dos pneus.  "Tomara que ele não seja, em termos de ajuda, igual a Amada!"

Passado alguns segundos, vendo o rapaz com a cédula ainda plantada na mão à sua frente, perdeu o pouco da paciência que lhe restara e esbravejou:

- Cadê o troco, cara!


- Moço, deu R$ 80,50! Você me deu apenas R$ 20,00. E, pelo visto, ainda quer fazer banca de engraçadinho, pedindo pelo troco? Vou chamar o segurança e acabar com sua festa! Aqui só da leso!

Mas antes que o vexame tomasse proporções inimagináveis, Helzinho, pedindo desculpas ao bombeiro, entregou-lhe uma nota de R$ 100,00, e, sem esperar pelo troco, partiu, danado da vida, xingando e culpando Amada por mais essa.

Ao perceber que seu ódio pela namorada aumentara significativamente, sentiu-se apaziguado, aliviado, vingado, quase se fazendo feliz!  

Relaxou um pouco mais, até por que estava chegando em casa onde haveria de ter alguém que não se recusaria em lhe servir um pouco de comida, uma vez que estava varado de fome, e tudo por culpa daquela ingrata preguiçosa!...

Tomou um bom banho, comeu, acomodou o celular sobre a cama, mas não conseguiu dormir a melhor cesta de sua vida - já que havia decidido voltar à solteirice...

O celular, repentinamente, toca. Atende e escuta a voz amada dizer:

- Oi, meu amor! Sou eu... Estou com tanta saudade!

Helzinho esqueceu tudo e sorriu, satisfeito, o sorriso dela.

Nada havia mudado!...
 

Ysolda Cabral
Enviado por Ysolda Cabral em 02/04/2014
Alterado em 04/06/2014
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