Ysolda Cabral em Prosa e Versos

Uma pessoa que chora e ri de alegria, tristeza ou saudade, sem nenhum pudor...

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CADÊ O JARDIM?
Ysolda Cabral



No meio do caos no jardim há um cântico  novo, mas difícil de assimilar. A questão não é auditiva!... É algo muito além da compreensão. Seria um instrumento ou um rouxinol da Terra do Nunca? Talvez duendes? Quem sabe!... Parece triste e belo - não devia existir beleza na tristeza... Fico atenta e uma cigarra desafinada interfere no concerto em apresentação e tudo paira no ar como ameaça. O silêncio se impõe e o desconhecido é novamente escutado me fazendo lembrar da velha caldeira certa feita ali colocada, enquanto aguardava a coleta para o desmanche num ferro velho qualquer. Cadê o verde do jardim? Cadê as flores, as borboletas, os pássaros, as joaninhas tão meigas, tão fiéis, tão sinceras, tão compreensivas e tão amigas? Cadê os bancos, onde a gente se sentava para se refrescar em manhãs de muito calor, enquanto conversávamos com algum amigo? De repente percebo que agora há um cântico ainda mais triste e ele vem do meu peito que sangra de dor.
 
Cadê o jardim, me respondam por favor!


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Praia de Candeias-PE
Em reflexão sobre a escassez
d'agua no planeta
26.10.2014

 
Ysolda Cabral
Enviado por Ysolda Cabral em 26/10/2014
Alterado em 26/10/2014

Música: O solo de violão de rua, cara muito fera! - Desconhecido

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