Ysolda Cabral em Prosa e Versos

Uma pessoa que chora e ri de alegria, tristeza ou saudade, sem nenhum pudor...

Textos

Beto-Carrero-0125.jpg



NA CANOA DO TEMPO
Ysolda Cabral
 
 
A tarde caminhava lenta, quente, sem nenhum frescor. As árvores não se mexiam e nenhum pássaro eu avistava, ou ouvia. Parecia outra cidade, outro tempo, outra casa, outro quarto, outra eu... Pois se nem o Mar dava sinal de vida!...  Por uma fração de segundo pensei não estar ali... Com a tarde eu caminhava, sem saber para onde ir. E, sem saber se seguia em frente, ou se voltava, me senti fora de mim... Contudo, como a direção não importava tanto, resolvi me balançar no tempo, tal qual canoa a navegar, num mar hipotético, quase parado,  a desbravar o inusitado “Mundo do Sol de Meio-dia”, num parque de diversão fechado. Isso me doía e doía mais na saudade que eu sentia.  E, no pra lá e pra cá da canoa, num tempo impreciso, entontecida de desorientação, escutei alguém falar ao meu ouvido: '' Acorde! Você está dormindo. '' Acordei! Estava sozinha. No parapeito da minha janela, o mesmo passarinho, do papinho amarelo, saltitava contente. Sorri e lhe perguntei: foi você? Ele voou resposta.

**********
 
Praia de Candeias-PE
Numa sesta de sexta-feira
09.10.2015

Ysolda 


Para escutar a música de fundo, acesse:
http://www.ysoldacabral.prosaeverso.net
Ysolda Cabral
Enviado por Ysolda Cabral em 09/10/2015

Música: Lamento Sertanejo - versão instrumental e visual - ok - Desconhecido

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras